quarta-feira, 8 de junho de 2011

Texto para a prova - Filosofia

Se a Filosofia tem uma razão de ser, isto é, um motivo, um meio e um sentido, ela nada mais é do que: nos colocar diante de nós mesmos para que sejamos capazes de compreender nossa existência no mundo.

Para tanto, a Filosofia nos mostra um caminho possível para tal compreensão. Esse caminho, por sua vez, é composto por dois movimentos: a atitude filosófica e a reflexão filosófica.

A atitude filosófica, quando se faz verdadeiramente crítica, constitui-se num duplo movimento: a negação dos nossos pré-conceitos (negativa) e o questionamento sobre o mundo (positivo). O movimento positivo, portanto, é a formulação de três perguntas básicas: o que é? Por que é? Como é?

Já a reflexão filosófica seria uma espécie de segundo movimento ou reação, se bem que pode ser entendida como movimento simultâneo e representa a volta do pensamento sobre si mesmo. Isto é, as perguntas agora são: por quê? O quê? Para quê? Se na atitude filosófica buscamos a essência, a significação e a finalidade das coisas no mundo exterior, na reflexão filosófica nos dirigimos ao pensamento, à linguagem e à ação e por isso sobre a capacidade e finalidade do conhecer, falar e agir.

Portanto, ambos os movimentos são constitutivos do filosofar, que seria a busca do homem da compreensão de sua própria existência e, ao mesmo tempo, representa duas idéias fundamentais: a de que a admissão de que nada sabemos é necessária para que conheçamos algo (“Só sei que nada sei”) e, também, que ao conhecermos o mundo, acabamos por, num movimento introspectivo, conhecer a nós mesmos (“Conhece-te a ti mesmo”).

Texto para a prova - Sociologia

A Sociologia, como as demais ciências humanas, tem por objetivo compreender a dinâmica social e até mesmo arriscar possíveis caminhos. Isso pode ser entendido justamente pelo contexto de seu surgimento: o mundo moderno, pós revoluções industriais, urbanizado, etc. Dado o caos em que os países desenvolvidos se encontravam inseridos, era preciso criar uma ciências que fosse capaz de, de certa forma, resolver essa situação, daí que a ciência da sociedade: a Sociologia.

Hoje em dia, os problemas são outros ou talvez sejam ainda muito semelhantes. De toda maneira, como estamos tratando de um conhecimento socialmente construído – isto é, diretamente relacionado ao contexto histórico sócio-econômico político e cultural – é preciso estar atento aos problemas de nossa época, mas sem esquecer dos movimentos fundamentais do fazer sociológico: o estranhamento e a desnaturalização.

O primeiro – o estranhamento – nos cobra a necessidade de estranharmos um mundo que muitas vezes nos parece comum, normal. O estranhamento nada mais é do que o espanto, a dúvida em relação àquilo que até então acreditávamos. O estranhar é o duvidar sistematicamente.

O segundo movimento – o desnaturalizar – esclarece ainda mais a relação da Sociologia com a História, pois combate qualquer iniciativa de naturalização da história da sociedade. Isto é, a sociedade como produto história do desenvolvimento humano, não é suscetível à leis gerais e por isso é preciso encontrar no social/ na história suas mudanças e permanência e não numa lei que seja capaz de reger os homens. Os homens são seres livres que produzem história e, por conseguinte, compreende-los em interdependência é compreender a dinâmica da sociedade.

Por fim, é possível dizer que a Sociologia é uma perspectiva sócio-histórica que visa alcançar a compreensão da inter-relação dos homens, motor da produção da sociedade.

domingo, 15 de maio de 2011

A Linguagem

“A fronteira do meu mundo é a fronteira da minha linguagem” (Wittgenstein)

Segundo Aristóteles, somente o homem é um animal político. Isso porque os outros animais, ao contrário do homem, só possuem voz (phóne), mas não possuem palavra (lógos). Essa diferença faz com que somente o homem possa exercer um julgamento sobre o mundo (justo, injusto, bom, mal) e, por conseguinte, posicionar-se politicamente no mundo. Essa capacidade humana e somente humana torna a linguagem o elemento distintivo entre homem e animal e, portanto, tema de grandes discussões filosóficas.

Além dessa distinção entre homem e animal, a língua, nosso código social, por sua vez, é responsável pela distinção entre os homens. De uma maneira bem simples, enquanto a linguagem nos diferencia dos animais, a língua nos diferencia dos outros homens, também seres da linguagem, mas seres de outra língua. Isso acontece porque o mundo é palavra e, sendo assim, é propriamente humano e varia de acordo com cada língua. Esse pré-suposto que considera o mundo palavra nos remete a uma série de questões. A primeira delas diz respeito à origem do mundo.

Independentemente da crença de cada um, na bíblia, podemos encontrar algo parecido com isso: “então deus criou o mundo dizendo: faça-se!”. Se isso é uma verdade (lógica) ou se é um mito (narrativa mágica) não importa, a metáfora já produz seu efeito de sentido: o mundo é criado a partir das palavras e somente a partir dela podemos transformar o mundo. Isso porque, língua e linguagem em interação produzem sentido, produzem pensamento, raciocínio, fazem política e, assim sendo, podem, dentre outras possibilidades, transformar o mundo.

Tudo aquilo que conhecemos tem nome e aquilo que não tem nome, de certa forma, não existe. Não conseguimos pensar n’alguma coisa que não tenha um nome, ao passo que construímos pensamentos sobre aquilo que nos é conhecido. Quando aprendemos coisas novas, estamos inserindo na nossa linguagem novas palavras, novos significado, novos sentidos e novas possibilidades. É como se o nosso mundo aumentasse ou, melhor: é quando o nosso mundo, de fato, aumenta.

Em relação à filosofia, podemos pensar pelo mesmo caminho. Quando entramos em contato com uma teoria, com conceitos e idéias, à primeira vista, não entendemos nada. Mas, aos poucos, aproximando-nos devagarzinho do novo, começamos a apreender os conceitos, os significados e começamos a, a partir da palavra, estruturar novos pensamentos, por meio de uma nova linguagem. As tradições filosóficas são, portanto, uma maneira específica de ler o mundo; a teoria de tal autor ou autora é não só palavra, mas linguagem e, por tanto, compreende o mundo dando a ele nomes específicos.

Por conta disso tudo é preciso sempre estar atento, quando estamos discutindo conceitos e idéias, aos conceitos, as palavras fundamentais. Somente se as compreendermos, poderemos entender o caminho trilhado pelo filósofo e, a partir disso, começar a trilhar o nosso próprio. Ao mesmo tempo, quando dialogamos, estamos fazendo política, estamos falando sobre nossos pontos de vistas, nossas opiniões e julgamentos sobre o mundo e, por conta disso, é preciso sempre estar atento ao que dizemos e a maneira como dizemos. Afinal, não estamos dizendo palavras soltas, mas sim transmitindo uma mensagem que representa todo um pensamento nosso, toda a nossa linguagem e, por conseguinte, todo nosso universo.


Referência

CHAUÍ, Marilena. “Convite à Filosofia”.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Por que um blog?

A ideia de montar este blog não é sem sentido. Há um propósito bastante claro para ter construído um blog pras disciplinas de Sociologia e Filosofia. O primeiro deles diz respeito ao material que é disponibilizado para os alunos: os três anos recebem, à cada bimestre, uma apostila para cada uma das disciplinas, porém não têm um livro didático. Do meu ponto de vista, o livro didático seria um importante material de apoio, que poderia trazer mais textos, propostas de atividade, etc. Portanto, o primeiro motivo que me levou a montar esse blog foi a intenção de facilitar o acesso dos conteúdos que estão disponíveis na internet e nos livros de uma maneira mais fácil para os alunos. 

O segundo motivo, falando em internet, tem relação direta com a linguagem na qual estamos inseridos quando adentramos o cyber espaço: mesmo que usemos a internet sem darmos atenção para a cyber linguagem, estamos a aprendendo o tempo todo. Isto é, os links, os posts, a leitura em frente a tela do computador estruturam uma linguagem específica que já é há algum tempo conhecida pelos alunos e, vale dizer, conhecida e intensamente utilizada. Essa linguagem específica, provavelmente, já tenha provocado uma série de mudanças na nossa maneira de ler o mundo e, portanto, nada mais útil do que utilizá-la e não tentar evitar o inevitável. 

O terceiro motivo tem ligação com o segundo, mas vai ainda mais além.: justamente pela linguagem que será utilizada e pela organização dos posts (que serão publicados sem divisão de série) os alunos terão acesso livre e poderão navegar pelos conteúdos dos três anos, sem limitações pré-definidas. Ou seja, dessa maneira é possível pensar numa maneira mais estimulante de entrar em contato com as disciplinas e seus conteúdos. 

O quarto motivo  - não o último, pois há uma série deles escondidos nas entrelinhas - se dá na maneira de gerir isso tudo, como é possível ver logo no início, há uma intenção clara de dar voz aos alunos e, por isso, o espaço "a hora e a vez dos alunos falarem". Espero propiciar o tão esperado e necessário diálogo provocando os alunos-internautas por essa via.

Enfim... O blog, de certa forma, demanda textos curtos, pretendo não me alongar e, por conseguinte, fico por aqui. Boa leitura, navegantes!